Manaus, 7 de dezembro de 2021
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Ilhas Canárias confinam 3.000 pessoas depois de novo fluxo de lava de vulcão atingir o mar

© Reprodução IPMA e Copernicus
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As autoridades de La Palma, nas ilhas Canárias, determinaram o confinamento de cerca de 3.000 pessoas nesta segunda-feira (22) devido à chegada de um novo fluxo de lava do vulcão Cumbre Vieja ao mar, processo que pode liberar gases nocivos à saúde.

Segundo divulgou o serviço de emergência 112 no Twitter, o confinamento determinado pelo Plano de Emergência Vulcânica das Ilhas Canárias (Pevolca) impacta a população de San Borondón, Tezacorte e do trecho entre El Cardón e Camino Los Palomares, no norte.

A chegada ao mar desse novo fluxo de lava, o terceiro desde que o Cumbre Vieja entrou em erupção há 64 dias, leva ainda à formação de um novo delta. Desta vez, o fenômeno se dará na área chamada de El Perdido, de acordo com o jornal espanhol El País, situada a pouco menos de 2 quilômetros ao norte do anexo que surgiu em 28 de setembro.

Apesar de os fluxos de lava afetarem apenas o oeste da ilha, as cinzas vulcânicas voltaram a obrigar nesta segunda a suspensão das operações do aeroporto de Santa Cruz de la Palma, capital da ilha, que se encontra na região leste. A companhia aérea regional Binter, a principal a operar ligações com as ilhas vizinhas, anunciou o cancelamento de todos os voos de e para La Palma.

Além disso, o diretor técnico do Pevolca, Miguel Ángel Morcuende, recomendou que os habitantes da capital se protejam com máscaras PFF2 do dióxido de enxofre e de outras partículas nocivas suspensas no ar pela erupção. É a primeira vez que esse tipo de recomendação é feita. As pessoas que sofrem de problemas respiratórios ou cardíacos devem ficar em casa e limitar absolutamente suas saídas, aconselhou.

O Cumbre Vieja já entrou em seu terceiro mês de erupção sem fim à vista, afetando quase 1.500 edifícios até o momento –dos quais quase 1.100 são residências. De acordo com os últimos dados do sistema europeu de medição geoespacial Copernicus, a lava já cobriu 1.065 hectares das ilhas.

Além do impacto nos imóveis, as formações de deltas modificam a geografia da ilha, criando um limbo jurídico quanto aos terrenos costeiros. A lei espanhola determina que a primeira faixa de uma costa integra o domínio público marítimo-terrestre, ou seja, pertence ao Estado.

Segundo a norma estabelecida na Constituição e na Lei Costeira, a linha inclui “a zona ou espaço marítimo-terrestre compreendido entre a linha de baixa-mar […] e o limite que as ondas atingem nas maiores tempestades conhecidas”. Ou seja, com um delta que avança sobre o mar, essa faixa é modificada, e o que antes estava sob domínio público marítimo-terrestre pode agora se tornar propriedade privada. Isso depende, no entanto, da abertura de um processo para que se declare que um bem estatal não possui mais utilidade pública.

Já a nova formação fica inteiramente a cargo do Estado, pois, segundo a mesma Lei Costeira, “ascensões na orla marítima por depósito de materiais ou por retirada do mar, quaisquer que sejam as causas” também estão dentro da zona de domínio público marítimo-terrestre.

Além disso, a Lei do Patrimônio Natural e da Biodiversidade determina que recursos naturais geológicos devem ser protegidos pelo governo espanhol.

E há ainda o impacto na biodiversidade da ilha. Segundo explicou Manuel Nogales, biólogo do Conselho Superior de Investigações Científicas no Instituto de Produtos Naturais e Agrobiologia, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em outubro, estima-se que apenas 30% das plantas sobreviva a quadros como esse provocado pelas erupções, e animais como répteis são fortemente atingidos –morrendo devido ao calor ou por asfixia.

Na parte marítima, apesar das alterações causadas pela lava quente que lá desemboca, a expectativa é a de uma recuperação rápida. Nogales lembrou que, há cerca de dez anos, uma erupção submarina destruiu a biodiversidade local, mas que esta se recuperou em dois anos e meio –até um ponto em que pode ser considerada melhor do que antes.

 

Folhapress*

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